Desvende 6 mitos e verdades sobre a intolerância à lactose
Desvende mitos e verdades sobre a intolerância à lactose - Foto: Shutterstock

Intolerância à lactose: 6 mitos e verdades esclarecidos

Há muitas dúvidas no que diz respeito à intolerância à lactose. Mas, afinal, o que é verdade?

A intolerância à lactose atinge cerca de 70% da população mundial. Mesmo assim, a linha entre mitos e verdades sobre o assunto ainda é muito tênue. Muitas vezes as pessoas não entendem a seriedade do problema, não sabem exatamente o que é e até não reconhecem quando começam a ter seus próprios sintomas — que podem se manifestar apenas na idade adulta em alguns casos. 

Por isso, o Guia da Cozinha desenvolveu um compilado de dúvidas e questionou a nutricionista Raquel Bicudo sobre cada uma delas. Então, continue lendo e esclareça todas elas de uma vez!

6 mitos e verdades sobre intolerância à lactose

Queijos mais amarelos e duros têm menos lactose do que os brancos? 

Verdade! Quanto menor o teor de soro de leite, menor o teor de lactose do queijo. “Por isso, os queijos duros e curados contam com menos lactose do que o queijo branco fresco, por exemplo”, explica a nutricionista. Seguindo este raciocínio, muçarela e parmesão têm uma quantidade muito pequena de lactose e, geralmente, são “bem tolerados”.

Mitos e verdades sobre intolerância à lactose

É verdade que alguns tipos de queijo tem menos lactose! – Foto: Shutterstock

A intolerância à lactose é algo hereditário? As pessoas já nascem com ela? 

Antes de mais nada, é importante entender que existem 4 diferentes tipos de intolerância à lactose: a primária, a secundária, a relativa do prematuro e a congênita. A Dra. Raquel Bicudo esclarece que a intolerância primária e a congênita são tipos hereditários.

O tipo mais comum é a intolerância primária, que não se manifesta na infância, mas só na fase adulta. Por isso, a intolerância primária também é conhecida como hipolactasia adulta. Por outro lado, a intolerância congênita se manifesta desde os primeiros meses. A médica assinala que essa condição, por sua vez, é extremamente rara e há pouquíssimos casos relatados no mundo.

A intolerância secundária não é hereditária; ela ocorre quando a mucosa do intestino delgado é lesionada em decorrência de alguma infecção ou quando pessoas com doença celíaca consomem glúten. Assim, a produção da enzima lactase é prejudicada e a intolerância vem em decorrência disso. “A boa notícia é que uma vez que a mucosa intestinal é recuperada, a pessoa consegue voltar a produzir lactase normalmente”, afirma a nutricionista.

Regiões diferentes do Brasil apresentam índices diferentes de intolerantes à lactose? A etnia da população pode influenciar isso? 

Verdade! A prevalência da intolerância à lactose muda conforme a etnia. Segundo a médica, em regiões onde a pecuária foi mais desenvolvida, o número de pessoas intolerantes é menor em comparação com locais onde ela foi pouco desenvolvida: “como exemplo podemos citar a Ásia e a parte sul da África como regiões nas quais a intolerância prevalece”.

O exame de sangue, utilizado para diagnosticar a deficiência da enzima lactase no organismo, pode apresentar falsos negativos e positivos?  

“Não chamaria de falso positivo ou falso negativo. Tenho uma explicação melhor para esses exames e a forma como devem ser interpretados”, comenta. A nutricionista, então, explica que, em relação ao teste de tolerância oral à lactose, a dose de lactose ingerida no teste é de 2g por quilograma de lactose — até 50g no máximo. Ou seja, o teste pode submeter o paciente ao equivalente — em lactose — à quantidade encontrada em 1 litro de leite de vaca.

Assim, a grande quantidade do carboidrato de uma vez poderia apresentar a intolerância como resultado do exame. “Porém, se a mesma pessoa consumir uma quantidade menor e mais fracionada de lactose, pode ser que o organismo dela consiga tolerar sem nenhum desconforto. Por isso, sempre digo que o exame não define se a pessoa é totalmente intolerante ou não, isso só é possível perceber no dia a dia. A própria pessoa precisa perceber o quanto é capaz de tolerar”, afirma Raquel.

Em relação ao exame genético, a interpretação pode ser ainda mais complicada. O intuito do teste é mostrar apenas se o paciente apresenta a tendência genética para manter a produção da enzima lactase ou se a tendência é parar de produzir a enzima com o passar da idade. Assim sendo, o exame genético não é capaz de indicar se a pessoa já parou de produzir a enzima ou não, principalmente porque essa redução acontece gradativamente. “Mais uma vez, é muito melhor a pessoa perceber o próprio corpo e conhecer os próprios sinais. O exame genético também não é capaz de definir o quanto a pessoa é capaz de tolerar”, aconselha a médica.

Produtos zero lactose podem ser mais eficientes do que lactase

Nutricionista afirma que produtos zero lactose podem ser mais eficientes do que lactase – Foto: Shutterstock

Ingerir suplemento de lactase antes de consumir alimentos à base de leite é mais eficiente que optar por produtos zero lactose?

Ao optar pelo suplemento de lactase, é necessário mensurar quanta lactose será consumida para que a ingestão da enzima seja proporcional. Apenas dessa forma uma boa digestão do carboidrato é garantida. Por esta mesma razão, surge um novo desafio: como garantir qual será a quantidade de lactose a ser ingerida? Por exemplo, no caso de um bolo, que contenha leite na composição, não é possível ter certeza da quantidade de enzima a ser consumida, justamente porque não há a garantia da quantidade de lactose para usar como base.

Nos produtos zero lactose, por outro lado, a promessa é de que o alimento já tenha as quantidades ideais de enzima em sua composição para garantir a hidrólise da lactose presente no produto. Neste cenário, a praticidade pende a balança de benefícios para produtos zero lactose, que podem ser mais eficientes em sua proposta.

A enzima lactase consumida diariamente pode causar danos ao intestino?  

A nutricionista desmente: “os estudos não contraindicam o uso da enzima lactase, pelo contrário”. Neste sentido, o consumo da enzima poderia ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “No entanto, é importante frisar que essa não deve ser a única ou principal forma de evitar os sintomas da intolerância”, avisa.

Alguns estudos demonstram ainda o efeito adaptativo da microbiota intestinal com o uso frequente de produtos lácteos em quantidades pequenas. Ou seja, seria preferível ingerir um pouquinho de lactose rotineiramente, do que restringir totalmente o carboidrato da dieta e/ou usar enzimas como rotina.

Além disso, a lactose tem efeito prebiótico, que favorece a colonização por bifidobactérias e a presença desse tipo de microrganismo ajuda a melhorar a absorção de cálcio no intestino. “Estudos mais recentes sugerem o uso de probióticos para a melhora da digestão da lactose e redução dos sintomas da intolerância. Com isso, concluímos que o ideal é ficarmos atentos ao nosso corpo e ao que comemos, adaptando a dieta conforme a tolerância, em vez de abusar do uso de produtos lácteos com ou sem enzimas”, aconselha a médica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *